Transporte: metrô autônomo entra em testes em cidade brasileira
A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, iniciou testes operacionais do primeiro sistema de metrô com condução autônoma do Brasil. Os trens da Linha 4 — Rosa, em operação experimental sem passageiros, percorrem o trecho de 12 quilômetros entre a estação Barão Geraldo e o centro da cidade com supervisão humana remota realizada de uma sala de controle centralizada, sem operador na cabine.
Como funciona o sistema autônomo
O sistema utiliza uma combinação de sensores LiDAR, câmeras de alta resolução, radares de curto alcance e comunicação V2I (vehicle-to-infrastructure) para navegação e detecção de obstáculos. Um modelo de controle preditivo ajusta automaticamente velocidade, frenagem e espaçamento entre composições com base em dados de ocupação da via em tempo real. Em situações de anomalia detectada — presença de objeto na via, falha de sensor ou desvio de parâmetros normais — o sistema aciona freio de emergência e notifica o operador remoto em menos de 200 milissegundos.
O fabricante do sistema, consórcio entre a francesa Alstom e a brasileira Digicon, realizou mais de 3.000 horas de simulação antes de iniciar os testes em via real. O protocolo atual prevê que um supervisor humano possa assumir o controle remotamente a qualquer momento, com um segundo operador de reserva em standby permanente.
Perspectivas e cronograma
Se os testes sem passageiros transcorrerem sem incidentes nos próximos seis meses, a fase 2 prevê operação com passageiros em horários de menor movimento, ainda com supervisão humana remota reforçada. A operação totalmente autônoma em horário de pico é projetada para 2028, condicionada à aprovação da ANTT e à revisão da legislação federal sobre transporte ferroviário autônomo — que ainda não prevê essa modalidade explicitamente. O projeto é monitorado de perto por outras cidades brasileiras que avaliam modernizar seus sistemas de transporte sobre trilhos.