Clima: relatório indica redução de emissões em setores chave
O relatório anual de emissões de gases de efeito estufa publicado pela Agência Internacional de Energia (IEA) mostra que os setores de energia elétrica e transporte registraram em 2025 a maior redução percentual de emissões em três décadas — uma queda combinada de 8,4% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pela expansão da geração solar e eólica e pela aceleração da frota de veículos elétricos nos maiores mercados globais.
Os números por setor
O setor de energia elétrica liderou a redução, com queda de 11,2% nas emissões globais. A combinação de novos projetos de energia renovável com o fechamento acelerado de usinas a carvão na Europa e na Ásia foi determinante. A China, responsável por mais de 30% das emissões globais do setor, registrou crescimento de capacidade solar recorde de 380 GW instalados em um único ano, suficiente para compensar o aumento da demanda industrial e ainda reduzir a participação do carvão na matriz elétrica.
No setor de transporte, a penetração de veículos elétricos em novos emplacamentos ultrapassou 25% globalmente pela primeira vez — com Europa em 42%, China em 51% e EUA em 18%. O Brasil registrou crescimento expressivo de 340% nos emplacamentos de elétricos em relação a 2022, embora a base ainda seja pequena em relação ao total da frota.
O que ainda precisa avançar
O relatório é claro em apontar que a queda nas emissões desses setores não é suficiente para atingir as metas do Acordo de Paris. Os setores de indústria pesada, aviação e pecuária não apresentaram reduções significativas e seguem como os principais obstáculos para uma trajetória compatível com o limite de 1,5°C de aquecimento. A IEA recomenda como prioridade urgente o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono para produção de aço, cimento e fertilizantes — setores onde a eletrificação direta é tecnicamente desafiadora no horizonte atual.